Disjuntor que desarma depois de 10 ou 20 minutos de uso costuma estar reagindo ao calor: o circuito está com uma sobrecarga leve, um borne frouxo está aquecendo ou o próprio disjuntor ficou fraco com o tempo. Esse comportamento é diferente do desarme instantâneo, que indica curto-circuito. O atraso mostra que a corrente é só um pouco alta demais, mas por tempo suficiente para esquentar a proteção.
Por que ele demora para desarmar: a curva térmica
O disjuntor residencial é termomagnético e tem dois mecanismos dentro dele.
- Proteção térmica: uma lâmina de dois metais (bimetal) que esquenta com a passagem de corrente e vai se curvando. Quando a curva chega a um ponto, ela solta o mecanismo e o disjuntor desarma. Quanto maior a corrente acima do valor nominal, mais rápido ele desarma; uma sobrecarga pequena leva minutos.
- Proteção magnética: um eletroímã que reage a correntes muito altas, como curto-circuito, e desarma em uma fração de segundo, sem esperar esquentar.
Por isso o desarme depois de um tempo é térmico. Não é um curto no fio, e sim uma carga um pouco acima do que o disjuntor ou o fio comporta.
Curvas B, C e D
Os disjuntores têm curvas que definem a partir de quantas vezes a corrente nominal a proteção magnética atua. Em valores típicos de norma:
| Curva | Disparo magnético | Onde costuma aparecer |
|---|---|---|
| B | cerca de 3 a 5 vezes a corrente nominal | Iluminação e cargas resistivas, sem pico de partida |
| C | cerca de 5 a 10 vezes | Uso residencial geral e cargas com partida moderada |
| D | cerca de 10 a 20 vezes | Motores e cargas com pico de partida alto |
A curva magnética não explica o desarme demorado, que é térmico. Mesmo assim, saber a curva do disjuntor ajuda a conversar com o eletricista.
Causas do desarme com atraso
Sobrecarga leve e contínua
Vários aparelhos de calor no mesmo circuito, como ferro, forno elétrico, aquecedor e chuveiro, somam corrente. Se a soma passa um pouco da capacidade do disjuntor, ele aguenta um tempo e desarma. O desarme costuma ocorrer sempre depois de um tempo parecido de uso.
Borne frouxo aquecendo
O fio é preso ao disjuntor por um parafuso, o borne. Se o aperto afrouxa, o ponto de contato fica com resistência e esquenta. Esse calor passa para o disjuntor, que desarma mesmo com a corrente dentro do normal. Esse caso é perigoso, porque o calor pode derreter o plástico do quadro.
Disjuntor velho ou desgastado
Com os anos, o mecanismo perde precisão e os contatos oxidam. O disjuntor passa a desarmar com corrente baixa ou a aquecer sem causa aparente.
Temperatura do quadro
Quadro abafado, exposto ao sol ou lotado de disjuntores juntos dissipa mal o calor. Cada disjuntor aquece o vizinho, e o conjunto desarma mais cedo.
Chuveiro: o caso típico
Chuveiro puxa corrente alta por vários minutos seguidos, o que é o cenário certo para a atuação térmica. Se o disjuntor do chuveiro desarma depois de alguns minutos de banho, as hipóteses são potência do chuveiro maior que a do circuito, borne frouxo no disjuntor ou na ligação do chuveiro, e disjuntor fraco. Qual delas é a verdadeira se descobre com medição, e a medição no quadro é trabalho do eletricista.
O que você pode observar com segurança
Sem abrir o quadro nem tocar em fio, você consegue reunir informações úteis.
- Anote o horário em que o disjuntor desarma e há quanto tempo o aparelho estava ligado.
- Liste o que estava ligado no circuito: aparelhos de calor somam corrente.
- Perceba cheiro de plástico quente ou de queimado perto do quadro. Se houver, desligue o geral e chame o eletricista.
- Olhe a frente do quadro, sem abrir nem encostar: manchas escuras, plástico amarelado ou deformado indicam aquecimento.
- Reduza a carga: desligue um aparelho do circuito e veja se o desarme deixa de ocorrer.
- Rearme só uma vez, depois de esperar alguns minutos.
Não troque o disjuntor por um maior e não abra o quadro para apertar parafuso. Troca de disjuntor e qualquer mexida em fiação são serviço do eletricista.
Como o eletricista mede e corrige
Na visita, o profissional faz testes que você não deve fazer em casa.
- Alicate amperímetro: mede a corrente real que passa no fio do circuito, com o quadro aberto por ele, e compara com a corrente nominal do disjuntor e a capacidade do fio.
- Termômetro infravermelho ou câmera térmica: mostra se algum borne ou disjuntor está mais quente que os vizinhos, sinal de aperto frouxo.
- Reaperto dos bornes: com o circuito desenergizado, ele reaperta os parafusos com o torque certo.
- Troca do disjuntor: se ele estiver desgastado, o profissional instala outro com a mesma corrente nominal e a curva adequada.
- Redimensionamento: se a carga real não cabe no circuito, ele propõe separar em dois circuitos ou trocar o fio, e só então ajusta o disjuntor.
Tabela de sintomas
| O que você percebe | O que pode ser | Quem resolve |
|---|---|---|
| Cai depois de uns 15 minutos com vários aparelhos | Sobrecarga leve | Redistribuir cargas; eletricista se persistir |
| Cai e o quadro tem marca escura ou cheiro de queimado | Borne frouxo ou disjuntor com defeito | Eletricista, com urgência |
| Cai só em dia quente | Quadro abafado | Eletricista avalia ventilação e carga |
| Cai com um aparelho específico | Aparelho com defeito ou potência alta | Testar em outro circuito; técnico do aparelho |
| Cai logo ao ligar, sem atraso | Curto-circuito, não térmica | Desligar o aparelho; eletricista |
Como reduzir o risco enquanto o eletricista não chega
Enquanto a visita não acontece, algumas atitudes reduzem o aquecimento sem mexer em nada elétrico:
- Distribua os aparelhos de calor em tomadas de circuitos diferentes, quando a casa tem mais de um circuito de tomadas.
- Evite ligar ao mesmo tempo ferro, forno elétrico e aquecedor no mesmo circuito.
- Abra a porta do cômodo do quadro ou deixe o ambiente ventilado, sem encostar objetos na frente da tampa.
- Não cubra o quadro com panos, caixas ou prateleiras.
- Se o desarme ocorrer no chuveiro, tome banho com a chave na posição morna ou de verão, que puxa menos corrente, até a verificação.
Essas medidas são paliativas. Elas diminuem o calor, mas a causa, seja ela o borne, o disjuntor ou a carga, só se resolve na revisão do circuito.
Quando chamar um eletricista
Borne aquecendo no quadro é risco de incêndio, então chame o profissional se notar marca escura, plástico amarelado ou cheiro de queimado perto dos disjuntores. Chame também se o desarme se repetir depois de você reduzir a carga, ou se o disjuntor for antigo e já tiver desarmado em dias diferentes sem explicação. Na visita, pergunte qual é a corrente real medida no circuito, qual a bitola do fio e se o disjuntor combina com ela. Essa resposta mostra se a solução é reapertar, trocar a peça ou separar o circuito.